Isso se caracteriza pela enorme relevância que a inovação passou a ter nessa paisagem de intensa competitividade nas empresas, isso impõe aos indivíduos a construção de novos conhecimentos e saberes.
Com a proeminência do trabalho imaterial, as clássicas categorias do capitalismo: trabalho, valor e capital estão aos poucos sendo modificadas, substituídas por outras formas de criação de valor - são saberes, comportamentos (esses, mais ligados a relacionamento, interatividade, etc) qualificado também de Capital Humano.
"Na economia do conhecimento, todo trabalho, seja na produção industrial seja no setor de serviços, contém um componente de saber cuja importância é crescente. Óbvio que o saber de que se trata aqui não é composto por conhecimentos específicos, formalizados que podem ser aprendidos em escolas técnicas. Muito pelo contrário, a informatização revalorizou as formas de saber que não são substituíveis, que não são formalizáveis: o saber da experiência, o discernimento, a capacidade de coordenação, de auto-organização e de comunicação. Em poucas palavras, formadas de um saber vivo adquirido no transito cotidiano, que pertence à cultura do cotidiano".
(André Gorz, (2005)
Nessa perspectiva, a questão emergente desta reflexão é o que altera na nossa vida e na sociedade com essa mutação associada ao saber/vivência relacionados aos modos de produção? Do ponto de vista sociológico, para onde estamos caminhando ?
"O trabalho abstrato simples, que era considerado como a fonte de valor, é agora substituido por trabalho complexo. O trabalho de produção material, mensurável em unidades de produtos por unidades de tempo é substituído por trabalho imaterial, ao qual os padrões clássicos de medida não mais podem se aplicar. O trabalho imaterial não é quantitativamente majoritário mas a hegemonia se dar em termos qualitativos.
O coração, o centro da criação de valor, é o trabalho imaterial” (GORZ, 2005, p. 19).
Segundo Marx, para melhor entender o que é valor devemos antes de mais nada perguntar qual é a substância social comum a todas as mercadorias?
É o trabalho. Para produzir uma mercadoria tem-se que invertir nela ou a ela incorporar uma determinada quantidade de trabalho. E não simplesmente trabalho, mas trabalho social.
"Com isso, para além de uma coisa tangível, a concepção de mercadoria se alarga e consubstancia-se em idéias e imagens que podem se materializar tanto em novas mercadorias como em estratégias de marketing. Essa é a grande novidade trazida pela tecnologia digital: a possibilidade de se manipular e transformar informações tal como outrora se fazia como matérias-primas de dimensão material, o que permite o capitalismo de hoje transformar e explorar mercadorias não só no plano material mas também no imaterial. Esse novo tipo de exploração caracteriza um processo de mercadorização da informação, que implica em sua reificação expressa na forma de dados. Estes nada mais são do que o resultado do tratamento e organização de uma miríade de informações com vistas a deixar insculpidas, no resultado final, apenas aquelas voltadas para finalidades mercantis. É assim que a inovação - seja de processos, produtos e serviços ou em publicidade - se tornou a principal estratégia competitiva das grandes empresas no atual contexto econômico."
( Ricardo Antunes)
Referências bibliográficas:
GORZ, André (2005). O imaterial. Conhecimento, valor e capital. São Paulo: Annablume.
NEGRI, Antonio; HARDT, Michael (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record.
Ricardo Antunes e Ruy Braga (orgs.)( Infoproletários)
Rosa Lima
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