( Do blog da Manuela D'Avila)
Mais um seminário foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, presidida pela deputada Manuela d'Ávila. Na manhã desta quinta-feira, 29, a CDH tratou do tema capitalismo cognitivo com os professores Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Sadi Dal Rosso, da Universidade de Brasília.
Mais um seminário foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, presidida pela deputada Manuela d'Ávila. Na manhã desta quinta-feira, 29, a CDH tratou do tema capitalismo cognitivo com os professores Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Sadi Dal Rosso, da Universidade de Brasília.
A proposta de Manuela de trazer o capitalismo cognitivo para o centro do debate da comissão faz parte da uma série de quatro debates que abordam os DH na sociedade informacional. Manuela justifica sua proposta citando o filósofo Toni Negri, que prevê o advento de uma revolução das informações, com profundos efeitos na vida econômica, social e cultural em todo o mundo. “Parece-nos necessária a reflexão, por todos os defensores de direitos humanos, sobre a emergência das relações de trabalho decorrentes das inovações, bem como suas implicações em outros aspectos dos direitos individuais e coletivos”, disse.
Em sua gestão como presidente da Comissão, Manuela tem priorizado os debates sobre o direito à informação e a democratização da informação. “Se, de um lado, é possível antever uma democratização do acesso à informação e ao conhecimento, por outro, a coleta e concentração de informações pelas corporações que controlam a criação e a operação cibernéticas permite grau de influência inédito sobre a vida das pessoas, sem que haja uma consciência geral a esse respeito, e nem mesmo uma regulação dessas atividades”, explicou.
No seminário de hoje, alguns aspectos foram levantados, com destaque para as mudanças na sociedade advindas da tecnologia. Na revolução industrial, por exemplo, as máquinas haviam sido criadas para melhorar as condições de trabalho dos operários. Ocorreu o inverso. O mesmo acontece hoje, quando as pessoas estão cada vez mais ligadas à tecnologia e acaba, por muitas vezes, reféns das ferramentas já consolidadas.
Outro aspecto levanto pelo Cocco diz respeito ao valor agregado aos produtos. "Hoje, a Nike não vende tênis, apenas. Ela vende um conceito de vida", citou como exemplo. Segundo o professor, o mesmo ocorre com as havaianas, uma marca que modificou seu conceito para poder vender mais. Segundo ele, o capitalismo cognitivo está diretamente ligado à produção intelectual e essa às redes sociais. "Quanto maior a circulação, maior o valor agregado ao que é o centro dessa nova época: a informação", disse.
Manuela faz a mesma referência no debate político. "Quando a imprensa criticava o jeito do presidente Lula de falar, não atacava apenas a ele, mas a todos os brasileiros que se viam por ele representados. Lula era visto como um igual pelo povo", reflete. O mesmo ocorre com o presidente Evo Morales, segundo Cocco. "Ele é identificado com a comunidade indígena, em um país com grande parte da população com essa origem. Isso os aproxima", relatou.
Por fim, citou-se o fato de que o trabalho intelectual - base do capitalismo cognitivo - não se separa da vida pessoal daquele que o produz, e, ainda , que a produção intelectual não é mensurável.
Fonte: http://www.manuela.org.br/noticias/capitalismo_cognitvo_e_imaterialidade_temas_foram_debatidos_da_cdhm