sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Capitalismo cognitvo e imaterialidade: temas foram debatidos da CDHM


( Do blog da Manuela D'Avila)

Mais um seminário foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, presidida pela deputada Manuela d'Ávila. Na manhã desta quinta-feira, 29, a CDH tratou do tema capitalismo cognitivo com os professores Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Sadi Dal Rosso, da Universidade de Brasília.

A proposta de Manuela de trazer o capitalismo cognitivo para o centro do debate da comissão faz parte da uma série de quatro debates que abordam os DH na sociedade informacional. Manuela justifica sua proposta citando o filósofo Toni Negri, que prevê o advento de uma revolução das informações, com profundos efeitos na vida econômica, social e cultural em todo o mundo. “Parece-nos necessária a reflexão, por todos os defensores de direitos humanos, sobre a emergência das relações de trabalho decorrentes das inovações, bem como suas implicações em outros aspectos dos direitos individuais e coletivos”, disse.

Em sua gestão como presidente da Comissão, Manuela tem priorizado os debates sobre o direito à informação e a democratização da informação. “Se, de um lado, é possível antever uma democratização do acesso à informação e ao conhecimento, por outro, a coleta e concentração de informações pelas corporações que controlam a criação e a operação cibernéticas permite grau de influência inédito sobre a vida das pessoas, sem que haja uma consciência geral a esse respeito, e nem mesmo uma regulação dessas atividades”, explicou.

No seminário de hoje, alguns aspectos foram levantados, com destaque para as mudanças na sociedade advindas da tecnologia. Na revolução industrial, por exemplo, as máquinas haviam sido criadas para melhorar as condições de trabalho dos operários. Ocorreu o inverso. O mesmo acontece hoje, quando as pessoas estão cada vez mais ligadas à tecnologia e acaba, por muitas vezes, reféns das ferramentas já consolidadas.

Outro aspecto levanto pelo Cocco diz respeito ao valor agregado aos produtos. "Hoje, a Nike não vende tênis, apenas. Ela vende um conceito de vida", citou como exemplo. Segundo o professor, o mesmo ocorre com as havaianas, uma marca que modificou seu conceito para poder vender mais. Segundo ele, o capitalismo cognitivo está diretamente ligado à produção intelectual e essa às redes sociais. "Quanto maior a circulação, maior o valor agregado ao que é o centro dessa nova época: a informação", disse.

Manuela faz a mesma referência no debate político. "Quando a  imprensa criticava o jeito do presidente Lula de falar, não atacava apenas a ele, mas a todos os brasileiros que se viam por ele representados. Lula era visto como um igual pelo povo", reflete. O mesmo ocorre com o presidente Evo Morales, segundo Cocco. "Ele é identificado com a comunidade indígena, em um país com grande parte da população com essa origem. Isso os aproxima", relatou.

Por fim, citou-se o fato de que o trabalho intelectual - base do capitalismo cognitivo - não se separa da vida pessoal daquele que o produz, e, ainda , que a produção intelectual não é mensurável. 

Fonte: http://www.manuela.org.br/noticias/capitalismo_cognitvo_e_imaterialidade_temas_foram_debatidos_da_cdhm   

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Direitos Humanos espera contribuir com projeto do marco civil da internet

 
Beto Oliveira
Dep. Manuela D·ávila (PCdoB-RS)
Manuela d´Ávila espera que os debates na comissão mostrem a relevância do tema para a sociedade.
As discussões sobre sociedade de controle, iniciadas nesta quinta-feira pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, podem subsidiar o projeto do marco civil da internet (PL 2126/11), enviado pelo governo no final de agosto, afirmou a presidente da comissão, deputada Manuela d´Ávila (PCdoB-RS).
O texto define regras sobre direitos e deveres do usuário e orienta a atuação do Estado no desenvolvimento e uso da internet. Com o projeto, o governo pretende promover o acesso de todos os cidadãos à internet.
A comissão abriu hoje uma série de seminários para debater as implicações ético-sociais dos novos avanços científicos e tecnológicos na área de informação. A privacidade e o controle que empresas exercem sobre o uso da internet pelos brasileiros foi o tema do primeiro evento.
Segundo o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeo da Silveira, é possível relacionar a aplicação do conceito de controle social ao exercido por bancos e empresas quando acessam o conteúdo do usuário da internet. Na Câmara, outro projeto (PL 84/99) em tramitação tipifica os crimes cibernéticos.
Para Silveira, são necessárias regras que coloquem limites nas ações das empresas. “Será que as pessoas não têm o direito de saber que elas estão tendo sua máquina invadida? Quem mais invade máquinas hoje não são crackers. São empresas”, ressaltou.
Interesse social
Na opinião da presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS), alguns temas aparentemente menores exercem um papel importante na vida dos brasileiros. “Aqui o nosso esforço é para fazer com que alguns debates que parecem pequenos, como a lei de direitos autorais, a lei do software, o AI-5 digital (projeto que tipifica crimes digitais e na internet), o marco civil, ganhem a dimensão real do que eles significam para a sociedade”, explicou.
A série de seminários da Comissão de Direitos Humanos vai até o final do ano, sempre em uma quinta-feira de cada mês, para tratar dos chamados "novos direitos humanos" ou "direitos humanos modernos". Entre os temas a serem tratados estão biotecnologia e inseminação artificial feitas com material genético guardado de pessoas mortas.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Luiz Cláudio Canuto/Rádio Câmara
Edição – Maria Clarice Dias

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/202084-DIREITOS-HUMANOS-ESPERA-CONTRIBUIR-COM-PROJETO-DO-MARCO-CIVIL-DA-INTERNET.html